A maioria das pessoas nunca foi entrevistada por um instituto de pesquisa devido ao pequeno tamanho de amostra necessário à elaboração de um levantamento confiável – geralmente duas mil pessoas ou, em boca de urna, no máximo dez mil pessoas – em comparação ao tamanho de uma grande cidade, estado ou país. Daí advém o desconhecimento da metodologia utilizada e a desconfiança da população sobre os resultados.

Para as pesquisas de intenção de voto, há dois tipos de metodologia:

  • Estimulada, quando é exibido um disco com o nome de todos os candidatos em ordem aleatória e o eleitor aponta para o nome do candidato escolhido, definindo sua preferência. O eleitor pode dizer que irá votar em branco, anular seu voto ou se recusar a informar o nome do candidato.
  • Espontânea, quando é pedido ao eleitor que informe o nome do candidato no qual irá votar, sem que lhe sejam exibidos quaisquer nomes. São desconsiderados os nomes de candidatos que não participam da eleição, quando já definidos os participantes do pleito, bem como votos em branco, nulos ou não informados.

A pesquisa estimulada funciona para eleições majoritárias – presidente, governador e prefeito – e para senador, quando os candidatos estejam oficialmente ou virtualmente definidos. Em eleições minoritárias – deputado estadual, deputado federal, deputado distrital e vereador – é impossível ter um disco para exibir o nome de centenas ou milhares de candidatos e a preferência deve ser externada pelo entrevistado sem nenhum tipo de estimulo.

Além das perguntas iniciais sobre aspectos sócio-econômicos incluindo sexo, faixa etária, renda e grau de escolaridade do entrevistado, geralmente são empregadas as duas metodologias: primeiro, pede-se um nome espontaneamente e, depois, pergunta-se qual dos nomes do disco o entrevistado votaria se a eleição fosse hoje. Em alguns casos, para economizar tempo ou evitar contradições, se o nome de um candidato já é citado na pesquisa espontânea nem se realiza a pesquisa estimulada.

O processo de voto por cédula de papel é um exemplo de consulta estimulada enquanto, com a urna eletrônica, o processo é prioritariamente espontâneo desde que não haja a “cola” com o nome dos candidatos. Essa mudança no processo é uma fonte de distorções entre o resultado da pesquisa e o resultado das urnas – principalmente nos eleitores com baixo grau de escolaridade -, pois o experimento da entrevista não é exatamente igual ao experimento do voto.

Devido ao baixo engajamento da maior parte dos brasileiros com a política, uma pesquisa espontânea produz resultado bastante diferente da pesquisa estimulada à medida que existe muita dificuldade de parte da população em lembrar os nomes dos candidatos – muitos definem poucos dias antes das eleições, seja no último debate eleitoral ou até na própria urna na hora de votar. Neste contexto, a pesquisa eleitoral estimulada é um meio de mensurar objetivamente o voto em um candidato em um pleito com os candidatos definidos e bem conhecidos – quanto mais próximo da eleição, melhores os resultados -, enquanto a pesquisa eleitoral espontânea mede o grau de conhecimento de um candidato, seja para a escolha de um nome com mais chances de vencer a eleição durante as convenções partidárias, seja para reforçar propostas e imagem no horário eleitoral gratuito, na propaganda de TV e nos debates em uma situação real de voto dos cargos executivos ou, ainda, para medir a convicção e força de voto do eleitor em um candidato. Quanto mais próximo das eleições, mais os resultados de ambas as metodologias se aproximam.

Estas duas metodologias também podem ser utilizadas em pesquisa de rejeição de votos a determinados candidatos ou partidos, produzindo interpretações e aplicações parecidas, mas com a diferença de que vários nomes podem ser citados nesta situação.